Internet é motivo de greve

6 Fevereiro, 2008

Uma greve que paralisou os estúdios das emissoras e produtoras dos Estados Unidos teve como mote a internet e a geração de receita pelo compartilhamento, cópia e distribuição das séries da TV norte-americanas. 

Os roteiristas reivindicaram o reajuste da participação nos lucros nas vendas e aluguéis de DVDs e em função da exibição de episódios e programas na internet. 

A exemplo da indústria fonográfica, esse segmento também pode entrar em colapso se não definir uma estratégia de pagamento de direitos aos envolvidos na produção das sitcoms. A greve, no entanto, chamou a atenção de outras classes: as dos atores e diretores de Hollywood. Resultados da primeira greve terão impacto junto aos futuros contratos de toda uma indústria cinematográfica e televisiva. 

Uma solução alcançada pelo serviço de download de músicas, Qtrax, foi ‘pagar’ com publicidade a gratuitade das canções baixadas pelos usuários. O arrecadado com publicidade pagaria as atividades do site e ainda os direitos autorais dos artistas. 

O fato é que não podemos mais ignorar a internet e o modelo que ela nos impõe. Resta-nos encontrar a solução para minimizar anseios de todas as partes envolvidas. 

Veja mais na web

“Se vocês ganharem dinheiro, nós também queremos lucrar”, dizem roteiristas em protesto em NY (Fonte Globo.com)

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Férias…

2 Janeiro, 2007

De 29/12 a 15/01, o MLOG ficará de férias. Fique à vontade para sugerir temas, assuntos e emitir opiniões (mlog@mercadolivre.com.br). 

Nos encontramos em 2007 para discutir os assuntos do mundo digital. Boas festas!


Controle na internet: engessamento que pode descaracterizar a rede

7 Novembro, 2006

Amanhã, 08/11, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado vota o projeto de lei que obriga a identificação dos usuários da internet antes de iniciarem qualquer ação que implique em interatividade. E isso vai desde o envio de e-mails, conversas em chats, criação de blogs, fotologs e videologs, download de músicas, filmes e imagens, entre outros.A não obediência ao cadastro prévio dos internautas (nome, endereço, número de telefone, da carteira de identidade e do CPF) por parte dos provedores de tais serviços implicaria em pena de reclusão de dois a quatro anos. Ainda caberiam aos provedores, de acordo com este projeto de lei, averiguar a veracidade destas informações. Este é o papel dos provedores de serviços on-line? Definitivamente, em minha opinião, NÃO.

Em Atenas, na Grécia, acontece uma conferência da ONU que debate um projeto de lei para assegurar direitos ligados à internet. O projeto afirma que os direitos da era tradicional devem evoluir para a era digital. Ainda dentro desta discussão, especialistas no assunto assumem a internet como um dos maiores (senão o maior) espaço púbico na história da humanidade que deve permanecer como um local que dá novas oportunidades para a cidadania e a democracia, além da liberdade. Ainda reforçam que as leis devem ser criadas de baixo para cima, isto é, de usuários individuais e não de governos ou entidades que apenas visam defesa de interesses particulares.

Sobre a conferência da ONU acontecer em Atenas, o berço da democracia antiga, temos aí um componente simbólico muito forte. Já escrevi antes sobre a “grande praça” de debates que é a web. Veja o artigo que trata da web como um espaço democrático: A grande Praça.

O projeto de lei brasileiro, a meu ver, em parte totalitário e inviável, não defende a vontade da maioria e fere a liberdade e a igualdade de direitos do cidadão. A internet em sua concepção não tinha (e até hoje não tem) o objetivo de exercer o controle e o cerceamento da sociedade. Papel e poder de polícia cabem às autoridades competentes para isso.

Que prevaleça o bom senso do Senado na votação e que a sociedade civil se mobilize para dar sua opinião ao projeto.

Veja a matéria (em português) do site da BBC de Londres sobre a conferência da ONU: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/11/061101_internetleisfn.shtml.

Leia a matéria da jornalista Elvira Lobato, na Folha Online, sobre o projeto de lei 89/00: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20908.shtml.


Palestra no Fórum Internacional VendaMais 2006

9 Outubro, 2006

Logo mais, às 18h30, vou proferir uma palestra sobre o varejo na era virtual, comentando especificamente o caso do MercadoLivre.com, no Fórum Internacional VendaMais 2006.

O evento acontece no Frei Caneca Convention Center, em São Paulo. Para se credenciar, basta acessar www.expovendamais.com.br.


Um oceano azul para diferenciar-se e não se preocupar com a concorrência

9 Outubro, 2006

Que é preciso diferenciar-se para obter êxito no mundo dos negócios, já sabemos.  O que um dos livros mais vendidos no mundo propaga, no entanto, é como diferenciar-se sem preocupar-se com a concorrência. Ou seja, a diferenciação pode ser tal que desobriga a empresa de preocupar-se com o restante do mercado competidor. 

O livro “Blue Ocean Strategy” recomenda que a empresa que torna o seu concorrente irrelevante, não necessita competir com ele. Os autores - W. Chan Kim e Renée Mauborgne – afirmam que hoje as empresas criam oceanos vermelhos (uma alusão a sangue), pois se digladiam por lucro e market share. Eles acreditam que as companhias de sucesso de amanhã vão ter êxito não por travarem batalhas com seus competidores, mas criando oceanos azuis de crescimento por conta de um mercado sem concorrência que proporcionariam para si mesmas. 

Tais movimentos estratégicos, denominados ‘inovações de valor’ criam poderosos saltos de qualidade para empresa e clientes de forma a deixar rivais obsoletos e sem demanda. As inovações de valor me lembram das empresas que vivem dos efeitos de rede (network effects), ou seja, companhias que por criar uma rede imensa de relacionamentos e negociações acabam se valendo do seu tamanho, de sua escala e facilitando a entrada de novos membros (que se valem desta exposição imensa) e tornam a competição com outros players mais difícil.  

A Microsoft e sua quase hegemonia com o sistema operacional Windows gera esses efeitos de rede.  Os desenvolvedores de sistemas provavelmente irão preferir criar aplicativos para usuários da MS em detrimento a outros, pois, terão a possibilidade de ganhar/lucrar mais pela maior quantidade de usuários que se utilizam do sistema. O MercadoLivre acaba por gerar esses efeitos de rede também. Usuários iniciantes no comércio eletrônico contam com a já consolidada ferramenta para comprar ou vender seus produtos sem ter que começar com uma loja virtual “do zero”. 

A conclusão a que podemos chegar é que quanto maior a rede, maior é a proteção ou a blindagem contra a concorrência. Outra constatação é que quanto mais nos diferenciamos e fazemos sucesso, mais estamos sujeitos a gerar competição. Isso, no entanto, não significa garantia de sucesso eterno e não quer dizer que a empresa precise se conformar com a diferenciação e “cruzar os braços” para as inovações e evoluções do mercado.