Pedro Doria, do blog No Mínimo, traduziu um trecho da fala de John Naughton na Conferência Britânica dos Editores de Jornais:“Os jovens de 21 anos hoje nasceram em 1985. A Internet fez dois anos em janeiro daquele ano e a Nintendo lançou o Super Mario Brothers, primeiro game blockbuster. Quando estavam na escola primária, em 1990, Tim Berners-Lee estava inventando a world wide web. A primeira mensagem SMS foi enviada em 1992, quando esta turma tinha 7 anos. Amazon e eBay nasceram em 1995. Hotmail saiu em 1998, quando eles estavam caminhando para o secundário.
Neste período, celulares pré-pagos surgiram, permitindo que adolescentes tivessem os seus – e os primeiros serviços de mensagens instantâneas nasceram. Google veio ao ar em 1998, quando eles chegavam à adolescência. Napster e Blogger.com são de 1999, Wikipedia e o iPod são de 2001. Os primeiros sistemas de redes sociais apareceram em 2002 quando eles estavam se formando no colégio, Skype em 2003 são eles indo para a universidade e o YouTube, de 2005, marca o momento no qual estão ganhando o diploma.
Estes garotos foram criados num universo que caminha paralelo àquele habitado pela maior parte de nós no negócio da mídia. Eles jogam games de complexidade absurda durante horas seguidas. São espertos, cultos e computadores e tecnologia de comunicação lhes são naturais.” A afirmação de Naughton escancara um cenário no qual os jovens já cresceram em meio à tecnologia digital e em meio aos veículos on-line, estampados na tela do computador, 24 horas por dia.
Frente a esse panorama, o papel e seus meios tornam-se obsoletos. Isso porque da mesma forma que nos habituamos a ler o nosso jornal de cada dia, ou nossa revista de cada manhã de domingo, a geração digital cresceu com os dedos no teclado e as mãos no mouse. Seus olhos deslizam pela tela do computador como os nossos o fazem nas bem diagramadas páginas das revistas e jornais.
Que futuro terão os veículos impressos se a geração digital, que hoje tem na faixa dos 21, 22 anos, não os utiliza? Os meios impressos poderão ter a função de abarcar a uma análise mais apurada temas e também notícias conhecidas como “frias”, isto é, que não dependam da periodicidade e do imediatismo para venderem.
Vejam só: se fôssemos esperar o resultado entre o jogo ocorrido no Japão pelos jornais, entre Brasil e Rússia, no vôlei feminino, teríamos a notícia um dia após o acontecimento. Até o telefone de Graham Bell seria mais rápido! Com as mídias digitais e mesmo com o rádio e com a TV, o tempo real é possível.
Portanto, amigos, o seu jornal e a sua revista – de papel, tal e qual os conhecemos hoje, podem estar com os dias contados em menos de uma década. A cobertura diária dos fatos, a meu ver, passará para os meios digitais e, fatos que demandem mais análise, poderão vir nos formatos impressos. Ah, quase ia me esquecendo…isso se a geração digital quiser…pois, para eles, o papel é quase como uma antigüidade…