Cibercrimes: 95% estão cobertos por nossa legislação

30 Março, 2007

O Promotor de Justiça Augusto Rossini que acaba de desenvolver a tese “Informática, Telemática e Direito Penal” afirma, em notícia do site WNews, que cerca de 95% do Código Penal brasileiro cobre os crimes eletrônicos.  

O promotor ainda completa que não é preciso que criemos novas leis, mas que adaptemos as existentes de forma a serem equiparadas aos crimes eletrônicos. Os crimes digitais que aparentemente não estão previstos na lei precisam apenas de um novo tratamento jurídico.  

Rossini acredita que é preciso que hajam regras bem definidas sobre a responsabilidade do provedor Web que, apesar de não ser o autor do crime, deve ser responsabilizado como co-autor, já que serviu de plataforma para a infração.    

Concordo plenamente com a afirmação de que a maioria do Código Penal tem embasamento para punir o cibercrime. Digo isso porque a maioria dos cibercrimes não são praticados na rede em si, mas apenas usam a rede como ponto de contato. Sendo assim, discordo da afirmação de que os provedores da web são “co-autores” de crimes, “já que serviram plataforma para a infração”. Seria como culpar as operadoras de telefonia celular pelo popular golpe do seqüestro tão difundido em nosso país. 

É saudável haver esse debate, mas creio que temos que parar com a “mania” de inventar leis que não têm paralelo em lugar algum. Não existe no mundo desenvolvido nenhum país que responsabilize o provedor da web por infração cometida por um usuário de seu serviço. 

A internet é apenas um ambiente a mais para lidarmos e, como o próprio promotor afirmou na matéria, “Furto é furto em qualquer lugar, assim como estelionato e falsidade ideológica. O que precisa é equiparar”.   

 

Veja mais na webCódigo Penal brasileiro cobre 95% dos crimes eletrônicos, diz promotor – Site Wnews – 19/03/2007.


Comunicação empresarial pela rede: os dois lados da moeda

29 Março, 2007

Uma notícia do site do Estadão trouxe dados interessantes sobre a pesquisa desenvolvida pela Rapp Collins sobre blogs corporativos. Os resultados apontam que os blogs corporativos ainda não são realidade nas empresas brasileiras. Na ocasião, foram entrevistadas 1008 empresas, de agosto a setembro de 2006. 

Ainda que estejam mexendo com o mundo on-line nas relações interpessoais, nos negócios, na política, na empregabilidade e na cultura norte-americana, no Brasil, apenas 0,54% das empresas possuem blogs e 2,62% obtêm dados de clientes por meio de blogs externos à companhia e nas redes sociais de relacionamento. Aí, leiam-se Orkut, MySpace, Flickr, etc. Na  

Para Ricardo Pomeranz, sócio-presidente da Rapp Collins Brasil, estamos presenciando a ação de um consumidor que está em diversos lugares ao mesmo tempo e que vivem conectados. Isso faz com que as empresas tenham que criar ferramentas para interagir com eles. Entre esses instrumentos, estão os blogs, podcasts corporativos, ações de comunicação viral, entre outros. 

Não me surpreende a análise da Rapp Collins, apenas evidencia a dispersão de estratégias de internet no mundo corporativo: enquanto algumas empresas se utilizam intensamente da rede e dos benefícios que ela permite, outras não têm a menor noção de onde começar e sequer cuidam de seus sites institucionais. Quem já entendeu um pouco como a web funciona já está colhendo frutos:- inclui mídia online nos planejamentos de comunicação, mede o resultado do que faz e melhora o rendimento de seus investimentos em publicidade;- relaciona-se e interage de forma efetiva com clientes;- alavanca recursos humanos e torna a empresa uma vitrine institucional e comercial;- armazena valiosas informações sobre hábitos do consumidor e as utiliza posteriormente para retroalimentar suas campanhas, produtos e serviços; 

Estas são apenas algumas das formas nas quais a internet melhora o desempenho das empresas. Podemos citar muitas outras, incluindo a melhoria da eficiência por conta da web, a redução de custos, a adição de inteligência de mercado aos planejamentos, só para mencionar alguns. 

 

 

Veja mais na webBlogs corporativos ainda são raros no Brasil - http://www.estadao.com.br/tecnologia/internet/noticias/2007/mar/20/249.htm.


Segundo IBGE, profissionais ligados às ciências e as artes acessam mais a web

28 Março, 2007

Saiu, nesta semana, um relatório do IBGE sobre o uso da internet. Entre os profissionais das ciências e das artes, quase 73% acessavam a Internet. Em seguida, vieram os trabalhadores dos serviços administrativos com 59,3% e dos dirigentes em geral, com 58% e, depois, os dos membros das forças armadas e auxiliares (52,9%) e dos técnicos de nível médio (51,9%). Os demais grupos apresentaram percentuais inferiores a 22%, destaque para o grupo dos trabalhadores agrícolas com apenas 1,7% de acesso à rede. 

As atividades em que a escolaridade dos trabalhadores é menor, evidentemente, concentra os trabalhadores que menos acessam a internet. Estamos falando de 1,7% no grupamento agrícola, 4% no dos serviços domésticos e 9,1% no da construção.  

Os trabalhadores cujas atividades demandam maior formação educacional ou que necessitam o próprio uso da internet nas tarefas apresentaram níveis mais elevados: 47,3% dos que estão na administração pública, 47,5% no da educação, saúde e serviços sociais e 57,9% no das outras atividades (intermediação financeira, seguros, previdência privada, atividades de informática, pesquisa e desenvolvimento etc.).  

O nível de instrução dos profissionais de determinadas categorias se refletiu claramente nesse indicador.  

Outro dado interessante da pesquisa do IBGE é que 1/3 dos jovens de 15 a 17 anos são internautas, resultado maior do que os das demais faixas etárias. Na faixa das pessoas de 50 ou mais anos, o percentual de acesso à web cai para 7,3% e no grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, fica com 24,4%, acima daqueles com idades a partir dos 30 anos.  

A constatação do IBGE é de que quanto mais elevado era o nível de instrução, maior foi a proporção de usuários da Internet. Enquanto 2,5% das pessoas sem instrução ou com menos de quatro anos de estudo acessaram a Internet, no contingente com 15 anos ou mais de estudo este percentual alcançou 76,2%.  

O rendimento mensal dos que acessam a internet também é mais elevado daqueles que não a acessam: R$1.000,00 contra R$ 333,00, respectivamente.  

Um dado que me assustou, no entanto, é que apenas cerca de 36% dos estudantes brasileiros têm acesso à web. Porém, antes dos computadores nas escolas, é preciso sanar problemas de infra-estrutura e trabalhar para que o percentual aumente.  


Compre pela internet e retire na loja mais próxima

27 Março, 2007

Com essa estratégia, o varejista Wal Mart, nos Estados Unidos, espera expandir seus negócios e facilitar a vida de seus consumidores. 

Como os clientes do Wal Mart já estão habituados a se dirigirem às lojas, a iniciativa apenas visa oferecer uma gama maior de produtos a eles, uma vez que na web não há limites de modelos, marcas, variações dos itens. 

Em minha opinião, uma estratégia multicanal como esta ajuda a conquistar outros grupos de clientes, bem como fidelizar aqueles que preferem fazer compras pela web. Trata-se de um canal adicional de vendas e que mostra que parcerias entre o mundo físico e o virtual são possíveis. 

O que os grandes varejistas tradicionais costumam fazer é estimular seus clientes a comprarem pelo canal web, sem remetê-los à loja física, porém, trata-se de mais uma alternativa que iremos acompanhar e observar caso venha a se tornar uma tendência. 

O que podemos extrair como lição disso é que cada vez mais as organizações têm de oferecer alternativas de vários modelos para manterem seus clientes. A facilidade, a comodidade, a praticidade e a conveniência nunca estiveram tão em jogo como nos dias de hoje.


Pesquisa de opinião quase em tempo real

26 Março, 2007

Que a internet é o meio no qual podemos obter resultados imediatos ou, pelo menos mais ágeis, já sabemos. A gigante do entretenimento, Disney, vai testar hoje à noite (26/03), um sistema no qual um grupo de pessoas assiste a um programa e troca idéias sobre o conteúdo.

Passada uma hora após o conteúdo da série Wildfire ir ao ar na TV, grupos de até dez pessoas poderão assistir no site abcfamily.com e enviar comentários umas às outras sobre o que estão assistindo.A idéia se chama Wildfire Viewing Party e permite que um usuário crie uma sessão entre os amigos para debater o conteúdo. Porém, segundo o site, é possível juntar-se a outras “viewing parties” também.Em uma viewing party é possível utilizar todas as funcionalidades do filme em dvd ou vídeo, isto é, é possível pausar, voltar, adiantar, etc.

A tentativa ainda é piloto e, se bem recebida, será estendida a outras séries.

Mais do que benefícios para o usuário final, a meu ver, o focus group que irá se formar na web, vai favorecer os produtores do programa, que terão, quase que em tempo real, opiniões e comentários acerca da série e outros aspectos.


Jornalismo open source, participação e fontes abertas

23 Março, 2007

Com essa proposta, o site Assignment Zero, associado à revista Wired e à iniciativa open source, NewAssignment.Net, quer juntar jornalistas e pessoas comuns nas coberturas das histórias. 

O jornalismo cidadão (no qual qualquer pessoa em posse de um veículo de comunicação na web – blog, site, lista de discussão, fórum – pode relatar fatos) é o conceito que permeia os princípios da iniciativa, liderada por Jay Rosen, blogueiro e acadêmico defensor do jornalismo open source. 

A investigação acontece no ambiente aberto da web e segue o modelo “pro-am”, no qual “PRO” são os profissionais (jornalistas) responsáveis pelo “norte”, edição, checagem e publicação da história; e os “AMS”, os amadores (“jornalistas” cidadãos) que fazem suas contribuições ao tema. 

A iniciativa é inovadora aos olhos dos idealizadores e une a idéia de compartilhamento de informações, empoderamento dos cidadãos comuns, colaboração com a atividade de reportar e noticiar grandes histórias nas quais a verdade está distribuída entre várias pessoas e os benefícios são para o público consumidor da informação. 

O projeto, a meu ver, confirma o que a web propunha desde o seu surgimento comercial: a democratização tanto do conteúdo quanto de quem o produz. 

O Assignment Zero, segundo se auto-intitulam, são um ponto de partida, uma linha mestra para uma imprensa livre, para um jornalismo de fato cidadão.


As 50 pessoas mais importantes da internet e a exclusão do mundo abaixo dos trópicos

22 Março, 2007

O site IDGNow divulgou uma lista feita pelo jornalista Christopher Null da PCWorld dos Estados Unidos sobre as 50 personalidades mais importantes do mundo virtual. 

Segundo a matéria, a lista responde por tudo que lemos, assistimos, escutamos, escrevemos, compramos, vendemos e nos relacionamos pela web. 

A seleção levou em conta centenas de bloggers, organizadores, idealizadores, empresários e inovadores para descobrir aqueles cujas contribuições alteraram a forma como usamos a rede.  

A partir daí, a relação foi construída. E, no meu ponto de vista, a listagem tem dois vieses: pode ser considerada um manual para quem se interessa por negócios pela web e pode ser uma lista restrita de personagens da realidade norte-americana e não do restante do mundo. Bill Gates, para a minha surpresa, não consta da relação. Poucos estrangeiros fazem parte da lista: um chinês (Jack Ma, do Alibaba.com), um coreano (Henry Chon, da Cyworld) e dois blogueiros iraquianos.  

E o que dizer da falta dos latinos na lista?  

Bem, esta pergunta merece uma reflexão. A internet surgiu nos Estados Unidos em um ambiente acadêmico-militar. Seu desenvolvimento comercial se deu, no entanto, em um ambiente sustentado por três eixos: as universidades apoiadas no empreendedorismo, no conhecimento e na pesquisa de ponta; os investidores de risco (venture capital) que financiam os projetos; e o mercado de capitais que propicia retorno para quem apostou nas iniciativas geradas pelos empreendedores oriundos dos dois primeiros elementos acima citados. 

O fenômeno, tipicamente americano, permitiu que as empresas de internet americanas evoluíssem e tivessem êxito. Começaram neste formato o Google, o Yahoo! e o eBay, por exemplo. 

Tal situação faz com que a inovação em termos de web seja mais evidente e mais forte em países que possuem esse ambiente. O que explica, em parte, a falta de latinos, sobretudo sulamericanos na listagem. Nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e mesmo um ambiente de empreendedorismo e investimento de risco são itens que temos muito a melhorar. 

Quem sabe nas próximas? 

 

 

Veja mais na webSaiba quem são as 50 pessoas mais importantes da internet – site IDG Now, 09/03/2007.


A volta às origens é improvável?

21 Março, 2007

Apesar dos inegáveis avanços no campo da comunicação e da participação coletivas, há quem acredite que a internet deva ser mais falada, ouvida e vista do que digitada e lida.  

Essa é a opinião do diretor da Mídia Click, Marcelo Sant´Iago, que acredita que dessa forma, a internet ficaria mais universal e mais “invisível” na vida das pessoas. 

Lendo o artigo - http://www.meioemensagem.com.br/proxxima/artigos/artigos.jsp?idconteudo=89278 – tenho alguns pontos de convergência e outros de divergência com ele. 

Concordo quando ele afirma que a web deve se tornar cada vez mais presente e, portanto, mais “invisível” no dia-a-dia das pessoas, uma vez que pode estar mais embrenhada em nosso cotidiano por meio de diversas interfaces, inclusive a falada (a vista e a ouvida estão cada vez mais presentes). Celular, tocadores de mp3, mp4, notebooks, palms, computadores pessoais, entre outros…todos teriam acesso à rede. 

Um outro ponto que Sant´Iago toca é uma volta às origens*, pois ele defende que a web para ser mais universal, deve ser mais falada e menos escrita. Aí é que tenho meu ponto de divergência. Acredito que seja improvável um retorno à tradição falada como meio principal. O único motivo pelo qual a tradição oral era transmitida dessa forma é que não havia escrita ou não havia facilidade de escrita.  

Por fim, acredito que o futuro da comunicação se dê cada vez mais pela rede, porém, os suportes que a transmitirão serão mais pessoais, portáteis e onlines. 

A universalização vai acontecer, sim. Espero e acredito. 

 

“*É consenso que falar é muito mais fácil que digitar, assim como receber mensagens através de imagens em movimento é muito mais efetivo que ler. Por isso, de certa maneira, a comunicação do futuro seria uma volta às raízes, cuja primeira forma de transmissão era através das histórias contadas pelos anciões das tribos e que passavam de geração após geração oralmente, sem nenhum registro escrito”.


Conteúdo gerado pelo usuário na TV. Em breve, no Brasil.

20 Março, 2007

O site de vídeos publicados pelos usuários, Sumo.TV, que está na programação da Sky do Reino Unido faz planos para desembarcar no Brasil. 

O canal britânico transmite os vídeos mais populares produzidos pelos próprios internautas e os remunera, à medida em que são exibidos. 

A partir de abril, um programa diário de 45 minutos, será exibido pela TV Cultura. O Sumo.TV tem 40 mil vídeos e, com a entrada no mercado brasileiro, a expectativa é de que esse número salte para 100 mil. A receita do Sumo.TV na Inglaterra é obtida por publicidade na TV e interatividade via celular (SMS e MMS).  

Sob os aspectos de mídia gerada pelo consumidor e convergência de mídias (internet, celular e televisão), a iniciativa é louvável, uma vez que o site em si existe porque os colaboradores produzem e postam conteúdo. Em relação à complementaridade de mídias, outro gol dos idealizadores. Os vídeos são postados na internet, os mais votados e populares, ganham a TV e podem também acabar como download nos celulares. 

No entanto, convido para refletirmos sobre a questão da qualidade do conteúdo. O critério para que o vídeo seja exibido na TV é a popularidade e não necessariamente um atestado de qualidade para o material. A qualidade duvidosa de certos programas de TV vai permanecer, portanto, mesmo com a mudança dos produtores de tais conteúdos? 

Os conteúdos colaborativos embora sejam uma evolução em termos de concentração de poder, não necessariamente, são um selo de qualidade…


A “Contigo” americana dos blogs elege os diários virtuais de maior sucesso em 2007

19 Março, 2007

A Weblog Awards, projeto sem fins lucrativos criado em 2001 para premiar os melhores blogs eleitos pelo público, lançou a lista de 2007. 

De 01 a 11 de Janeiro, qualquer internauta poderia indicar suas preferências pelo site. Depois, no dia 15 de Janeiro, 200 votantes foram aleatoriamente selecionados para votar nos finalistas nas dez categorias. No dia 25, os finalistas foram anunciados e a votação foi reaberta ao público. 

A edição de 2007 teve como destaque o famoso PostSecret, com três prêmios, incluindo “Blog do Ano” e “Melhor Blog de Comunidade”; o YouTube que continuou com o prêmio como “Melhor Aplicação Online para Blogs”, enquanto o Blogger, também do Google, levou a mesma premiação no ano anterior.  

O tradicional blog PerezHilton também foi um dos premiados pelo Bloggies 2007. 

Veja os premiados nas dez categorias: http://2007.bloggies.com/.