Maoísmo digital - a produção coletiva na rede em detrimento da individual?

Sérgio D´Ávila, correspondente da Folha de S.Paulo em Washington, em matéria recente afirmou que a internet transfere “riqueza” para as redes, que por sua vez, caminham para uma economia de coletivismo digital e que os grupos e indivíduos são mais livres do Estado e das corporações hierarquizadas. 

Em minha opinião, a web 2.0, que se pauta basicamente por esse conceito de produção, colaboração e participação coletivas não transformam a produção individual em coadjuvantes do processo. 

As mídias geradas pelo consumidor (do inglês, Consumer Generated Media) apesar da possibilidade de produção coletiva (um jornal coletivo, por exemplo) não excluem ou relegam a segundo plano a produção individual de conteúdo. A wikipedia, maior enciclopédia online do mundo, também não desfavorece a produção individual: apesar de ter o conjunto de produtores editando o conteúdo, conserva as versões anteriores de modo que se possa consultá-las. 

O controle de qualidade da produção coletiva fica a cargo da própria comunidade. O mesmo acontece no MercadoLivre, que usa o sistema de qualificações dos vendedores para atestar a qualidade dos usuários e o mecanismo de votação dos melhores guias de compra de produtos.  

Com a velocidade e a quantidade de informações disponíveis na rede, os filtradores (selecionadores) de conteúdos de qualidade irão ganhar um campo de atuação. A busca social e os ‘Diggs’ farão a diferença. Do contrário, o “maoísmo digital” homogeneizará os conteúdos, pensamentos e ideologias disponíveis e estaremos novamente diante de um meio que acarretará a passividade dos internautas. 

Os “maoísmos” que devemos aceitar na rede devem ser o acesso irrestrito à web e a livre expressão.

Nenhuma resposta para “Maoísmo digital - a produção coletiva na rede em detrimento da individual?”

  1. Princípio da web 2.0 ganha espaço na mídia impressa « MLOG Disse:

    [...] O conteúdo colaborativo ou a produção coletiva ou o jornalismo open source já são uma realidade na internet e fazem parte dos princípios e conceitos defendidos pela segunda geração da internet.  [...]

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