Fãs e ouvintes no poder

Foi-se o tempo em que tínhamos que depender da programação das rádios para consumirmos as músicas que queríamos. 

Com a internet, as rádios online e os MP3 players, a seleção fica por conta de cada um. O gosto pessoal é o “drive” de todo o processo. 

Ao ler uma matéria do Jornal A Folha de S.Paulo (apenas para cadastrados) sobre música na internet, resolvi falar sobre o assunto sob o prisma do usuário comum e das bandas que nunca seriam conhecidas se não tivessem a oportunidade de se expor na rede. 

Duas rádios online destacam-se neste sentido de oferecer a possibilidade do usuário configurar seu gosto e ouvir as músicas baseadas em suas preferências pessoais. São elas: Pandora e Last.Fm.  

As rádios de internet estão conquistando cada vez mais espaço e mercado ao oferecerem um sistema de recomendações musicais. Primeiro, o ouvinte se cadastra e dá informações sobre artistas e estilos musicais de sua preferência. Por um sistema de interação, vai ouvindo músicas baseadas em suas indicações, dando ou não a sua aprovação. As informações vão direto para uma base de dados e as pessoas que lá trabalham classificam as canções, fazendo uma análise prévia e estabelecendo relações entre elas. Como diria o fundador da Last.fm, Martin Stiksel, “é a comunidade de ouvintes que constrói o conhecimento”. É o ouvinte que alimenta e transforma o sistema. 

O sistema de recomendação tanto nas rádios como em outros sistemas on-line mudaram o modo como as informações chegam às pessoas. Os vídeos mais votados no YouTube ficam nas primeiras colocações, os guias de compra do MercadoLivre mais lidos e recomendados, idem e até notícias, com o site Digg que elege os textos mais votados e elenca para seus usuários.  

Na outra ponta do processo, estão as bandas de garagem ou grupos que jamais sairiam do anonimato, não fosse o poder de disseminação da internet e a ausência de controle das gravadoras nessa seara. Em outra oportunidade, falei sobre um site que ajudava a promover bandas, permitindo que ganhassem até a gravação e a distribuição de sua música se conseguissem reunir adeptos em torno de suas causas. 

Essa é a grande sacada da internet: a desintermediação. Os grandes produtores de conteúdo (incluam-se aí as gravadoras e a indústria fonográfica tradicional), que antes detinham o poder de filtrar aquilo que as audiências deveriam ver, perderam a exclusividade.  

Os famosos ‘gatekeepers’ assistem a essa evolução apenas como espectadores do processo. Ou entram no esquema de conferir poder ao receptor ou estarão fadados à perda cada vez maior de audiência.

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